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Folha do Delegado
Desde: 12/01/2011      Publicadas: 2101      Atualização: 14/12/2013

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 ARQUIVO POLICIAL

  26/05/2011
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O Crime de Olímpio Campos

Monsenhor Olímpio Campos,
senador por Sergipe

O Crime de Olímpio CamposO Crime de Olímpio Campos
Os Crimes que abalaram Sergipe

O Crime de Olímpio Campos (*)
Acrísio Torres

No cair da tarde de 9 de novembro de 1906, no Rio, Olímpio Campos, senador por Sergipe, deixava mais uma sessão do senado federal. Chapéu de sol na mão, dirigiu-se para o Hotel Royal, onde era hóspede. Não podia prever que se encaminhava para a morte. Na Praça 15 de Novembro, antigo Largo do Paço, encontrou-se com Humberto e Armando, então jovens acadêmicos de direito, filhos de Fausto Cardoso, morto em Sergipe três meses antes, por ocasião dos trágicos sucessos políticos de 28 de agosto de 1906. Havia um terceiro personagem, Délio Guaraná, primo de Humberto e Armando. Tudo se passou rapidamente. Agrediram a Olímpio Campos, e o alvejaram com balas certeiras, ferindo-o mortalmente na cabeça, nos ombros, nas costas. Mesmo gravemente ferido, Olímpio Campos teve forças para apressar os passos, em direção ao Hotel Royal. Procurava inutilmente livrar-se dos agressores, que o perseguiam implacavelmente. Os disparos atraíram a multidão.

Pouco adiante Olímpio Campos caiu. Levado para uma farmácia próxima, Farmácia Alfredo Carvalho, já agonizante, o monsenhor senador sergipano logo faleceu, sem pronunciar uma só palavra. Foram inúteis os prontos socorros. No mesmo dia, circulava em Aracaju a notícia desoladora do assassinato de Olímpio Campos, chefe da situação dominante em Sergipe. Suscitou a mais viva emoção na população, já combalida pelos trágicos sucessos de agosto de 1906. Olímpio Campos, monsenhor, nasceu em 1853, em Itabaianinha. Era conservador, mas votou a favor da Lei Áurea. Aceitou a república, e aos que se lhe queriam opor, aconselhou, com moderação, pronta adesão à obra política de Benjamin e Deodoro. Muito cedo, na tradição do padre Pitangueira, do vigário Caetano, entrara na política. Foi deputado provincial, no império, deputado federal, na república. Em 1899, assume o governo de Sergipe, depois do qual, em 1902, foi eleito senador.

Não apenas pela proeminência do morto, como pela lembrança ainda viva dos trágicos sucessos de agosto, a notícia abalou a opinião pública, em Sergipe. Não só em Sergipe, também no Brasil. Humberto e Armando, filhos de Fausto Cardoso, logo foram presos. Na mesma ocasião, confessaram o crime, declarando que Délio havia sido apenas testemunha do assassinato de Olímpio. Estava caracterizado o espírito de vindita, que, segundo versões, teria sido estimulado pela família. "Basta de sangue", dizia, em editorial, descrevendo os lutuosos acontecimentos, a Gazeta do Povo, da Bahia. Nos mesmos termos, na mesma linguagem de lamentações, se manifestavam os jornais do país. E Rodrigues Alves, presidente da república, lamentava que "mais esta desgraça se dê em meu governo". Coelho e Campos, no senado, Oliveira Valadão, na câmara, lamentaram a morte de Olímpio Campos.

Declarava Coelho e Campos que "a fatalidade parece haver aberto as asas sobre Sergipe". Dizia Oliveira Valadão que nada justificava o "tresloucado assassinato". Guilherme Campos, presidente de Sergipe, determinou fosse embalsamado o corpo do irmão, e enviado para Aracaju. No dia 20 de novembro, atracara o "Esperança" no porto da capital sergipana, e o cadáver de Olímpio, nele conduzido, foi levado para a igreja matriz. Autoridades, funcionários, estudantes, o povo em geral, participaram das dolorosas solenidades. Enquanto isso, fazendo maior a dor dos sergipanos, a filarmônica "Santa Cecília" acompanhava o corpo de Olímpio, executando marchas fúnebres de Beethoven. Foi um desfecho medonho, trágico, irreparável, o do assassinato de Olímpio Campos. Esse trágico sucesso, antecedido pela morte de Fausto Cardoso, e juntamente com ela, iam enlutando em negros registros os capítulos da história política de Sergipe.

(*) Do Livro "Cenas da Vida Sergipana, 2 " Acrísio Torres " SERGIPE/CRIMES POLÍTICOS, I", Thesaurus Editora, prefácio de Orlando Dantas, páginas 15/17.

  Web site: clovisbarbosa.blogspot.com/2010/09/o-crime-de-olimpio-campos.html  Autor:   Acrísio Torres - clovisbarbosa.blogspot.com


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